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segunda-feira, 13 de outubro de 2014

* Há *

Há algo dentro ...
Um espírito efervescente que por vezes bate a minha porta

És tu ? Criatura mitológica, habitante de todas as eras. Sopro estuporante que corre os breus das matas e por fim me atravessa o peito
Que queres? És um sinal?
Há algo dentro ...
Não sei dizer o que
Minha língua já não cabe
Minha boca permanece trancada
Meus olhos cerrados
Estou mudo
Mas ainda me sobra a insistência das horas, que também por serem apenas horas ,nada me dizem.
Há algo
Talvez seja o riso de um olhar
Talvez seja os gestos despropositados
Talvez seja o afeto que as coisas refletem em meu olhos
E,por fim,talvez seja delírio ...
O gosto daquele azul turquesa naquele pijama
O cheiro que irrompe do último gemido, a umidade
O som que a flauta tocava, eu vi, juro!
Deste jogo mirabolante e preciso nada mais hei de querer,nada!
Apenas este poema
E é isto que há
10/10/2014

* Uma questão de escolha *

Certo dia estava um homem a andar numa rua deserta.
Era madrugada. E quem andava por aquelas bandas durante aquele horário, certamente não teria feito a melhor das escolhas.
Escutava apenas o som dos seus passos e talvez algo mais, provavelmente o ruído de seus pensamentos.
Ao prosseguir , notou que surgia um cão de uma das ruas que dava na que ele estava. O animal andava bem a frente, os passos leves, revirou uma lata de lixo, pegou uma sobra de comida e seguiu.
Lá atrás , após ter observado o cão e notar que poderia ser interessante ter a sua companhia , ele gritou: "cão!" , e depois mais um vez, "cão!". Sem esboçar qualquer reação, o animal prosseguiu...
Andando um pouco pensativo , se reparou pensando algo engraçado, na verdade, de que adiantava ele se comunicar com aquele animal chamando-o de cão? O animal não sabia o significado disto e talvez nem tivesse a oportunidade de ter escolhido ser um.  
Sim, é verdade...  

13/09/2014


* Os olhos do futuro *

Olhos grandiosos 
Olham, apenas...
Perpassam o horizonte desconfigurado
E onde se chega tudo é sugestivo...
A infinidade habita nestes olhos
Onde os outros olhos já exaustos não alcançam
Tão vividos são estes olhos vagos
Não olham para dentro
Não observam
Servos do instante
Servem?
Olham,e é isto!
Sem serviço ou desserviço
Carregam as possibilidades
De um tempo que há de vir...
Talvez.
17/07/2014