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segunda-feira, 2 de outubro de 2017

* Faces lunares *

Vejo o medo a mirar miragens  de um tempo inacabado

Vejo a luz na expansão, momento, imaginário

Raiar de cores,ilimitado pensamento

Pólos diluídos nos confins do ser
Assim penso,por vezes sereno
Viver...

29/09/2017

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

* Vídeo Game *


Vamos jogar?
Ideia com ideia
Retalho
Incrementar
Colar pra ver se fica

Olha as formas a criar forma
Olha as peças desta engrenagem
Olha a luz num fio de tungstênio
Olha um monumento a arrotar toxinas
Olha as grades e as parede lisas
A eletricidade a correr nos fios de postes e cercas que gritam o pavor
Olha a roda, roda mundo, roda gigante, roda moinho , roda pião, roda pneu de borracha aos poucos na Agamenon
Morreu um atropelado
Olha a lona, cobre!
IOOOM IOOOM IOOOOOM
Os urubus vivos
O sucesso da série the walking dead

Vamos jogar?
Ideia com ideia
Retalho
Incrementar
Colar pra ver se fica
Mas…
Cuidado pra não confundir
Ideia é ideia, poema é poema
E
Ponto final

03/03/2016

quinta-feira, 27 de abril de 2017

* Sinfonia das estrelas *

Palpita poesia
na dança das estrelas
Subliminar sinfonia
do coração universal
Há raios que se fazem lúmen
Há lótus a desabrocharem
Há a coreografia dos pássaros regida por seus cantos
Há carros com suas buzinas a rimarem umas com as outras
E mesmo em meio a fumaça fétida há de existir resquícios de poesia
Há a sutileza matematizável da consciência
a permear tudo isto e nós sentindo-nos
fracões de um
Gaia estende seu seio aos filhos sedentos de vida
E Apolo imponentemente, a guiar-lhes simultaneamente
A
S.O.S
ou
acompanhados
imersos profundamente
em meio a tamanha vastidão
um pedido de socorro, uma dúvida:
"is there life on Mars?"
Silêncio
um pouco de
Silêncio
Clamará nosso fragmento de coração
passo que captará a frequência
ancestral por vezes quando
sonharmos...
15/02/2016

terça-feira, 25 de abril de 2017

* Felino *


Sussurro ruidoso a erguer-se
Penumbra adiante ronrona
Sua boca antecede e saliva
Afiados os dentes
Um salto!
Na calada da noite tateia
O gosto ... cangote
A presa.

30/09/2016

* Nadar *


Quando por vezes
Teus sentidos pulsarem
Seguindo os sentimentos
Análogos a miragens
Ouro e pó
Pranto e gargalhada
Soarão como um só
Verás vozes
Vultos
Ecos
Mergulho amniótico
Articulação de membros
Mil metros de fôlego a mais
Arte em nadar

15/09/2016

* O pião *


Rodopia o pião
Movimento circunscreve
Permanece instante breve
Segundos do agora então
Roda roda o pião
Desconhece-se quem o joga
Serpenteia extensa corda
Aterrisa rente ao chão
Rodopia o pião
Lá ao longe toca o sino
Desatina os nós do destino
Transfigura-se em brasão
Roda roda o pião
Do princípio e ao reverso
Segue a linha, o trajeto
Contradiz-se sem razão

15/09/2016

* Inominável *


Grão de areia submerso em mar de sal
Poderia ser ...
Aquele mar em rebento nos corais de arrecifes, centenas de gotas a suspenderem-se
partícula
Poderia ser ...
Uma nota falha regida em meio a nona sinfônia,seu derradeiro instante de fúria
Poderia ser ...
A náusea d’um bocejo suicida, tão particular, no meio de tantos
Poderia ser ...
Uma flor em meio a fedentina metropolitana, rompendo a concretude
Do asfalto
Poderia ser ...
O espectro d’um fenômeno , solar a atravessar um prisma de cristal
Poderia ser …
Um insight a pulverizar
Lâmpada em vidraça
Num instante de delírio
Tradução
Poderia ser...
Guerra e paz
Fartura e miséria
Assassino e peregrino
Vênus e marte
Partida e chegada
O prelúdio do fim anunciando um regresso
E a palavra cravada no peito perene da alma
Lágrima que cai
Estrela

14/09/2016

* Despedidas *


Segue teu caminho
Apaga tuas pegadas
Respira…
Só não te esqueces do gosto
Das lágrimas...

03/09/2016

* Vórtice *


Num único fôlego mergulho no tempo
Nas cinzas das horas, minutos, momentos
Do solo que piso ao rubro do sangue
O gosto e o desgosto de meus ancestrais
Do peso dos genes: ponteiros mutantes
Desembesta um pavio ao rumo d’um cais
Infindos os ramos a brotar de meu cérebro
Retorcidas raízes sacodem o instante
Sementes cavalgam na aurora pulsante
D’um fruto incerto de um oráculo ébrio
Pipoco ribomba na gênese dos séculos
Trovão que transpassa em ruídos elétricos
Das areias sugado por curvas engate
Emergindo d’um estalo qual fagulha arremate
Grito mudo num fôlego o pedido de paz

30/08/2016

* Daimon *


Ouças bem o som dos pássaros ao amanhecer
Sintas a brisa das tardes em meio a praia deserta
O solo úmido após a chuva, os grãos de terra entre os dedos de teus pés
Uma estrela a brilhar a anos luz
Gargalhadas nas noites de frio
Um abraço a acolher-te em reciprocidade
O brilho ardente dos olhos a transbordarem
TUM TUM TUM...
Circula dentro de ti o sangue dos bárbaros mortos numa batalha jamais pronunciada,
Recordas?
Tu, guerreiro, saibas bem que o fim não será anunciado até o teu regresso
Estarei lá neste dia a testemunhar,
Sentado sobre uma pedra
Tecendo fios
Fios...
E mais fios...
Entre as nuvens

20/08/2016

* Temporal *


Choram carregados
Cinzentos contornos
Trombetas urram trovões
Tortuosos tracejos
Clarões
Assobiam os ventos
Seres mil a dançar
Põe-se fora lamentos
Vozes mil a cantar
Rufam tambores
Todas as tribos
Crianças e homens
Cirandas a rodar
Pisadas de pés
Terra molhada
Cheiro de vida
Alma a lavar

22/05/2016

* Mãe *


Deste-me acolhimento
Princípio da jornada
Fez de teu útero aconchegante morada
Por meses a fio o peso do corpo
Por meses a fio o sorriso no rosto
Do teu alimento me destes comida
Marcando uma cicatriz e o rebento da vida
Cantastes canções embalando-me em teus braços
Contastes histórias de teus ancestrais
Dos cantos remotos recordando teus passos
Teu manto sagrado abraçou-me num cais
Escola da vida: vivida e a viver
Escola da vida: vigília e fazer
Permanece este selo marcando meu nome
Teu “amor-alicerce”
Ensina-me a ser homem

08/05/2016

* Genesis infinitivo *


Sinuosas ondas
sinuosas
Colidem sinuosas
ondas sinuosas
colidem
Ondas sinuosas
ondas colidem
ondas
Sinuosas
ondas
" A caso escutas? "
Som se propaga dentro
d’uma imaginária divisa
do vácuo
Conduz
Trovão
Vastidão
Luz
Ecos ...
Veludosas vozes
soam estampidos
Rompem teus tímpanos
Dissonantes caóticos
emergindo brasas
Epiderme pipocando
bolhas em pus
Uivos tremendo
pontiagudas unhas
Riscando as cicatrizes
do karma
Calmas…
Calmas…
Calmas…
Compasso no tempo
Sinergia de vibrações
ao epicentro
Pathos despidos
num salto
de uma mola
quântica
Espelhados
nas gotas
Da pele
Do pêlo
Dos póros
Das putas
Dos putos
Nas noites dos dias
Sin-cronia
Puros
Perpétuos
Penetram
Portais
Em
Paz…

30/04/2016

* Face a face *


Bendito e profano
A habitar a face dos homens
A distinguir coisa de coisa
A abrir guerra contra si
E a nós as migalhas
O jogo do azar
Caímos pois em desgosto
Nós, a marcarmos as cartas
Nós, a darmos nomes e apontarmos
E bem ali, capelas a céu aberto, estrelas a olhos nus
Fatalidade d’um tempo que não o foste
Oblíquo
Não percebem estes que aqueles
A quem chamavam de “visionários”
Vivificaram nada mais
que o instante ?
E os que nada sabem, ao centro
Em meio a mudos murmúrmurios
Dançam o descompasso
D’uma música
Ancestral
Que sabem eles se não suas almas?

28/03/2016

* Tá tudo "bem” *


Pálpebras e grãos de chumbo
Manhã nublada
Verniz cinza
Óleo diesel
Escarro
Gastrite
Bocejo
Tosse
Vazio
Ar

21/03/2016

* Criação *


Ping
Pong
Pingo
Pinga
Goteja
Gente
gota
a
GOTA
Aéreo
Trovão
Expansão
Fusão
Toró!

10/03/2016

* Coisificação *



Creio na causa que
uma coisa tem sobre
as outras,
repare bem:
As coisinhas tem sua causa numa coisa,
que por si, as coisas,
Originam-se d'uma coisona e ,
de certo,
está tudo a coisar ,
Infinitamente...
A causa da coisa
A parir tantas outras destas
A sucederem-se...
Tu te reparas num canto então,
já coisado
E sem ter como expressar esta orgia caótica,
diz:
QUE COISA!

28/02/2016

* Carta *

Saudade, talvez fosse
Não sei ao certo
Uma idealização
Não, não sei
Tua cabeça coberta por um manto negro
Em uma textura sedosa
Sim...
E o contraste não só entre a cor de teus cabelos
E tua pele branca
Mas também entre nossas palavras
Não posso lamentar, talvez
Mas parece ser lei a ação do tempo a desbotar os tons em cinzas
Cinquenta vezes lembrei-me de teu riso... Tão raro
Quis esquecer
Cinquenta vezes, se não me falhe a memória, percebia cada detalhe de teu corpo
Embora tateasse no escuro, sentia bem
Tentei desvendar teu segredo em mistério
Tentei conhecer-te
Cego e mudo, imerso em ti
Encontrei um abismo
Resoou aqui dentro uma amargura
Talvez me demorasse mais neste jogo masoquista
Não fosse o chamado...
Confesso não ter ressentimentos
Tenho sim, o sentimento
De que quando uma alma toca a outra
Faz-se denecessárias as palavras
Obrigado por tudo.

27/02/2016

* Fênix *

Fragmento despedaçado de si
repetindo-se em retalhos
cai no abismo da ferida

estanca...
Arde

estanca...
ARde

estanca...
ARDe

estanca...
ARDE

Exorciza-se!

soa um som...
silenciosamente
sintoniza
notas a tocar em harmonia
palpável
E do peito da poesia viva funde-se brasas
Faz-se um punhado de cinzas
Reluz
Cega
RESSURGE!

19/02/2016