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sexta-feira, 19 de novembro de 2021

* OBSESSÃO *

 De todos os propósitos 

Derrotas, êxitos 

Meço aprendizados 

Ou tento 


Lembro-me a cada momento do fatídico dia

Uma forma lenta de me dissolver 

De me esvair pelas lembranças 

Combustão que me invade noites adentro 

Pertubando-me o sono 


E os fios de teu corpo juntos ao meu

Me fazendo tua marionete 

E tu, minha mais pura aporia 


A minha obsessora razão procurando um porquê 

A cavar e a cavar ,sem imaginar haver o segredo enterrado

Tão perto...


E os passos trocados ,de dialetos que se cruzavam ,e “bichos-humanos” que tentavam deitados se comunicar numa mesma língua. 


Saciada, te pus em meu peito, minhas retinas seguiam cada contorno de tua face. 


O sol surgia firme, como se queimasse os corpos, expurgando-os. 


Hora de partir.

 

Mas para onde? 


17/11/2021

* CONFISSÕES *

 E foi naquele pacto 

Dentro daquele recinto 

Em que evaporavam lágrimas 

E cicatrizes expostas se tornavam pretextos 


Páginas velhas, mofadas 

De novo: a página do CID 

Que rasgastes e me destes 

E que ao zombar, compartilhávamos 

Lá no fundo desta nossa doce insanidade 


Insanidade...

Para que? 


Se, na camada mais abissal 

Havia o segredo de toda a filosofia 

E também a maior de todas as tragédias gregas

Que é quando dois corpos  ao se entregarem

Em existência, fervem !

Pipocam! 

E da fissura, as almas se espiam, se enlaçam, se devoram !

Se renovam! 


19/11/2021

* Reminiscências de um atravessamento *



Foi... 

Foi naquela noite de fuga 

A efervescência da carne 

O pulsar dos órgãos 

E na dança mais profana dos instintos 

Que cheguei a ti 


Dei de frente contigo

O véu a cobrir teu rosto 

A tua sabedoria precoce 

E também a tua malícia 


Era mulher em pele de moça 

De aura leve, doce e precisa 

Arriscava até dizer que um dia 

Já fostes bruxa 

Que tinhas sob teu domínio 

Os elementos da natureza 


Ao teu lado, sentia necessidade de estar 

De ser e permanecer, o ser conforme

Louva-la !

E, apesar de tudo

Por detrás de teu véu 

Descobrir talvez oque faltava em mim 

Desvendar o sentido e o propósito Inerente 

Das coisas, de ser e pra que ser humano 

A mais nobre equação do cosmos 

Que de tão certeira apenas em poesia 

Se permite traduzir

Fazendo-se esfarelar a rotina

em sementes ,

milhões e milhões destas 

A cultivar esta plenitude noturna e passageira 

De onde se brotam as memórias 

E aquele teu sorriso 

Por uma vida inteira 

Nosso

 

24/10/2021

* Lua cheia

 Luz do astro e a carne fria, sua pele

Pálidas

Viva e morta

E o véu negro de sua cabeleira longa 

A cobrir o seu rosto 

O seu rosto...


Seu olhos fundos e tristes 

Espreitam ... 


Não cansa de esperar...

Ela não cansa... 


Um punho cerrado , outra mão aberta 

Na esperança da chegada e o contragosto da partida

Mas no poço fundo de seu peito, o eco

E lá a ressoar, nada mais que a verdade 

Despida 

Um livro a ser lido em minúcias


Não duvidem estes de toda sua magnitude 

A julgar pela capa 


No entanto ,assim, ainda que morta...

Ainda que viva ...

De pé 

Permanece 

Atenta 

A andar sobre a névoa 

E sobre tudo mais que é pueril 

Que é desimportante

A caminho de sua salvação 

Sua redenção 

Sua utopia


E então

No fatídico dia

Vai desabrochar... 


15/06/2021

 Um silêncio, um suspiro , um gemido. 


Contidos, contidos


Jogados nos confins 


Um remoer 


Um remorso 


Uma marcha 


Cabelos despenteados 


E os cacos...


 e os cacos do espelho  


 


Poderia carregar 1000 kg nas costas ou ter que levantar e fazer tudo outra vez 


E ver o Sol lá fora, e sua forma incandescente,e dar bom dia ao motorista as 09:45 da manhã, o sorriso impresso no rosto. 


 


As vezes um insight é o bastante, uma perspectiva nova sobre a vida, dizem alguns, outros dizem que é fase. 


 


Diante de toda atmosfera, apartei-me de mim, apanhei uma garrafa de cerveja e tomei num gole. Olhei a silhueta brilhosa, a lua na janela. Lembrei de uma velha alma que já nos disse em seu escritos que, ao nascermos, caímos em prantos por virmos a este verdadeiro cenário de idiotas. Nada mais apropriado.  


Continuei ali meu ritual noturno amaldiçoando a humanidade. 


Seus ditos e ditados 


E seu otimismo e perfeição aparente 


Tão frágil  


Mas no entanto tão forte...  


“Ninguém sabe a força que tem quando a única saída é ser forte” 


É verdade...  


O quão distante parece isso 


 


Pensar, preciso pensar...  


 


Um silêncio, um suspiro, um gemido 


Soltos no ar...Soltos no ar 


25/04/2021

* Até te ouvir cantar



Por entre a fumaça dos dias  


E as injúrias trocadas


Rôo a rotina ,


como aquele verme que se apega ao fruto desgarrado em seu prazer mais débil


É farto, ainda que pouco 


É tecnocrata, ainda que débil  


Acordar e mais uma vez voltar às retinas ao próprio umbigo  

 

Talvez...


Até te ouvir cantar aqui, dou outro lado de lá 


19/01/2021

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

* Chama *

 Eu


Bem aqui 


Nu 


Bem aqui 


Em meio as cobertas 


Contraído 


Quase sonâmbulo 


Tomando o último gole do que me sobrara


Na ânsia vertiginosa do querer 


Barganhando entre existência e prazer 


Os dias se repetem 


As noites avançam  


E sob os dias, as sombras vagueiam ocupando espaços vazios 


Horas são horas 


Pessoa são pessoas 


E da caixa miraculosa da vida, nada de novo 


Ajusta-se o tamanho da caixa até que fique bem miúda 


Até que ela caiba no bolso 


E aí sim, mais uma vez 


Nada de novo 


Do querer forjam-se os grilhões 


Enormes e pesados 


As vezes até me orgulho deles  


As vezes até como medalha os exibo


Mas, as vezes… 


Bem as vezes...Bate cá um oco


E do fundo dos pulmões até os dentes ,ecoa um grito de discórdia,  que faz bater os dentes, que faz trincar os dentes


E no fervor todo o corpo pulsa em revolta  


Olho-me no espelho em pedaços 


Um conjuntos de cacos 


Olho-me em cada gesto que se perde, e cor ,e som ,e o fogo que dança em cima da vela, que queima 


A vida não é o que disseram que era


E para que não passe de ilusão 


Até o derradeiro suspiro 


Há de olhar-se sem remorso  


Deixar-se para que siga 


Entregar-se por inteiro 


E como toda chama que se preze 


Se fará esta consumida


20/07/2020