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quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

* Antropofágica *

 


Corpos nas sacadas 

Vestes nas calçadas


Os passos trocados 

E os labirintos famintos do ser 

Anseiam libertinagens 

Inquietos amantes 

Bebericando taças de vivido sangue 

A lua entoa uma marcha fúnebre 

Enquanto tremeluzentes pontos palpitam 

A poética noturna


A hora, há muito esquecida, 

Sugere ao agora um rito antropofágico


As gotas , em sal , a escorrer


A embriaguez 

Os instintos da pele não fazem morada 

No solo da razão 

Os instintos da pele não fazem morada 

No solo da razão 

Os instintos da pele não fazem morada 

No solo da razão 

Tua pele perdoa a minha no momento em 

Que sinto o toque de nossas almas 

Matilha de lobos dançando ao centro da mata 

O uivo da besta convida-nos a um último ato 

E tu te agarras e eu me agarro ao chamado 

Ao salto por cima dos silenciosos lares


Costuramos , em delírio e ao nosso modo, a tela sombria do sono


A cobrir os nossos corpos,  os nossos corpos.


30/03/2020

*Ode a Boêmia *


ruas são como selvas 

um mar de concreto 

um gole de caos 

tragadas são suspiros 

como respirar após um mergulho 

bocas, um gosto rubro ,fugaz

por favor, não me deixe parar 

por favor, a noite não pode acabar 

busco um pouco de paz


dentes são como facas 

suas presas, minhas presas 

amolam a alma , retalham sigilos

torpores e a calma 

por favor, não me deixe parar 

por favor, a noite não pode acabar 

a brisa e as luzes 

exalam um cheiro de aurora 

do tempo que já desfaz da hora 

momentos findos da vida 

perpetuam-se em artérias compridas 

embalos orgiásticos do ser 

e nos becos e vielas adentro 

jazem mortos os lamentos


e se depois de tudo isso 

perdurar o pranto cinzento dos dias 

agarras bem a mão da noite 

faz de tua prece o coração em açoite

esquece então os ponteiros 

segue só ,em romaria 

de tento em tento 

tua bussola é o vento 

e amanhã já se faz dia


26/12/2019

* Negra proletária *

  Giz de ébano negro e suor desfilando 

Num sábado astral 


Crespos cabelos, mantas, vestidos e seios ... 


Roda em silhuetas suas curvas e marcas da vida no seu visual 


Porta flores, artes e cheiros na feira da Várzea solar


Herança mutante sentida d'um povo retinto num gene ancestral

 

Avante distópico mundo, seu sorriso a vingar.  


16/03/2019



sábado, 2 de dezembro de 2017

* Momento *

Perplexo presente
Observa obtuso
Constante convexo
Elo
Ecoa oco
Suspiro ,tal qual um tiro
Voa vento
Sentimento
Gosto de gostar
Ser
Estar
Sendo...

10/03/2016

* Violinos *


Choram violentamente os violinos
Vibrando velozes as cordas atemporais da alma
Tocando fugazes,melodiosos sentimentos
D'um tempo onde já não se faz morada

Choram violentamente os violinos
Decalcando em terra árida seu escopo
Desenhando suas notas com maestria
Inimaginável ressonância a criar corpo
Em tão profundíssima e bela melodia

Choram violentamente os violinos
E assim também como meninos choramos
Da agonia e felicidade este deslumbrado pranto
Das lágrimas que do seu encanto
Regam e nutrem as raízes do ser
Neste solavanco sublime ,aventura que é viver.
31/11/2017

* Teu olhar *


Abismo a fitar, do teu olhar,
bem por dentro do teu olhar

O encontro de minh'alma com tua íris a desnudar
A linha derradeira do que é insano a se deixar... transpassar...

Pela sutileza de tal convite,
distam teu lábios dos meus, a se aproximar

Estalo seco d'um tiro,
meu peito a denunciar

Um momento
e não mais que isso a cravar-se pela estaca do tempo
No nosso olhar,
bem por dentro do nosso olhar ...
16/11/2017

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

* Faces lunares *

Vejo o medo a mirar miragens  de um tempo inacabado

Vejo a luz na expansão, momento, imaginário

Raiar de cores,ilimitado pensamento

Pólos diluídos nos confins do ser
Assim penso,por vezes sereno
Viver...

29/09/2017