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terça-feira, 24 de setembro de 2013

* A garota e o guarda-chuva *



Cabisbaixa, a miúda caminha.

Corpo encharcado de solidão,
seio que trava uma guerra injusta.

Cedendo em instintos ,
fragmenta-se sua sanidade .




Um pranto contido em seco...




A natureza anuncia a penitência,
e um estrondo lá longe indica o caminho ,
dilui as nuvens em disparos
dores insustentas,
uma porção delas.

As pernas fraquejam...

Mas um pensamento a impulsiona ,
profusão sentimental que flui.

Contorcendo-se de frio,
as mão firmes seguram algo.

Um passo...
dois...
três...

Inútil rapidez,
que será talvez?



segunda-feira, 19 de agosto de 2013

* A vida em duas doses *




Garçon,chegue logo!

Deixe de lado a velha camaradagem 


Traga-me uma dose de cicuta 


Não me importa que a vida torne-se curta

 
Ou que ainda há algo a trilhar por sobre este chão


Ir de encontro a realidade é o mesmo que dar de cara com um muro


Veja bem, não tenho estado tão se-
guro
Mas sei o que há muito me aguardava atrás deste balcão

Depois,ainda sem cortesias,


traga-me uma dose de cachaça
Para que num gole só,ao fim de tudo, eu venha apenas a esquecer


Admitir que nisso há de se achar graça


E com um sorriso zombeteiro no rosto hei de morrer.



14/08/2013

* Averiguação *



Terno 

Gravata 
Barba feita 
Mala preta 
Olhar atento 
Trabalho de minúcias
Pilha por pilha 
Verdejantes 
Sorriso sagaz
Tranquilidade
Rumo ao repouso
Suíte de primeiro andar
Degrau por degrau
Um fato de estranho
Algo da mala pinga
Gota por gota
Um tropeço
Pescoço quebrado
Piso com carpete
Não amorteceu .
Ainda hoje não se averiguou
Destacam-se dois porquês:
Foi o degrau, de sangue molhado ,
Ou a própria sombra que o comeu?

terça-feira, 9 de julho de 2013

* O falso poeta *



Ao poeta.


O criador de métricas

perdido no caos da rotina

Cria na rotina das palavras

o embrutecido

Rasga do olhar a cortina


Emerge o que se esta presente

no despercebido

Parindo na musicalidade dos versos

o ritmo dos andares perdidos

A rima sonora que insistem as

buzinas

Os trajetos obstruídos no trânsito

da vida percorrem na tinta de suas
palavras os mais inesperados caminhos

O marginal da rua duvida :


-Diante de tanta desgraça há de existir poesia

na vida?

O poeta responde em seus versos

Embora nem esteja tão certo
Talvez nem mesmo saiba o curso
Mas a dureza vista pertuba-lhe em encalço
e o faz proferir no impulso:

-O POETA É UM FALSO!


terça-feira, 25 de junho de 2013

* Noite dos desassossegados *


Há algo de amedrontador nesse silêncio que bate repentinamente, uma espécie de calmaria transvestida que outrora desvela-se em caos. Sutilmente,assim mesmo, aos poucos... 



Motoristas conduzindo seus veículos apressadamente,

na mais profunda solidão.
Ligam naquela mesma rádio de sempre
desejando escutar aquela velha canção que ,
como de costume, sempre lhes acalmam os nervos.

Seguranças mal encarados,trajados em suas fardinhas.

Guardiões de imensas estruturas de concreto
que abrigam os mais diversos tipos de senhores e senhoras.
Atividade exercida de forma cautelosa para com estranhos
que venham a surgir pelos arredores,exige responsabilidade desmedida.
Quanta insegurança deve abrigar a virilidade deste tipos?

Casais de namorados,

longe de dar um tom romântico a noite
e quebrar com esse efeito devastador,
fogem pelas ruas quase que aleatoriamente,
se perdendo em atalhos que traçam com suas mentes
pertubadas pelo temor da morte aparente.

Meninos órfãos,

acham-se donos de seus próprios destinos
e das ruas que habitam.
Herdeiros do ópio,
ironicamente enjaulados por essa sub-estrutura a que pertencem,
imposta pela mão maior que ,a princípio, sempre afaga.
Empunhando um canivete em suas mãos trêmulas,
eles anseiam sua própria justiça sangrenta de ódio
contra o primeiro que cruzarem.

Belas moças na esquina,

pontualmente aguardam a margem das estradas
o próximo parceiro odioso que lhes ofereça
uma boa quantia em dinheiro ou, a contragosto,
uma nova cicatriz marcada por uma surra violentamente cruel.


 A noite,antes protagonista,se torna apenas um pretexto para o sutil reinado do medo,que se faz residência. Com o caminhar destas horas que se estendem,o inútil combate frente a própria morada mostra-se raramente,podendo até ser visto através de um simples fato que se repete. 




Um mero cão vira-lata surge.

Erguendo-se e mirando em latidos a lua majestosa no céu,o animal
DENUNCIA A TODOS!

terça-feira, 18 de junho de 2013

Quadrinhos 1


A obscuridade da ideia primordial de deus










* Primavera *

O tempo deixa seu legado,a natureza numa aparente sincronia com todas as formas de vida possíveis permanece em constante movimento. Há de se gerar , por si só uma infinitude de cores, uma explosão assombrosa de fertilidade que se perpetuará nestes mesmos períodos,acalmando a ânsia dos românticos.


Vem o último vento,indiferente ,assobiando agressivo.Desencadea-se a partir deste uma orquestra de sons: um farfalhar de miúdas vegetações,batidas de janelas,baques ensurdessedores de panelas,latir de cães medrosos nos becos das cidades.O maestro corre as ruas vazias da metrópole,bate as portas das moradas,rompe a paz das madrugadas,emanando de si um tom irônicamente profético.


Numa realida paralela caminha uma figura ao longo da calçada,no coração da cidade...
O pequeno Tim ,menino raquítico,mas dono de uma vontade imensurável,criança sonhadora que almeja um futuro de paz,como tantas outras.Ele tece seu destino de maneira inocente.

Nunca em tão curta existência havia feito um gol numa partida de futebol.
Impetuosamente,o garoto chutara quase sem querer a bola para o fundo das redes,dando a vitória a seu time,que agora era ovacionado por todos. Sua turma tinha sido campeã naquela modalidade dos jogos internos,não faltavam motivos para comemorações.

Ele atravessava a rua sob o sol escaldante,queria contar o feito a seus pais. Em passos firmes ele rachava o asfalto,tamanha era a sua felicidade.


Dirigindo o volante e pertubado,esta Pedro,ele tinha discutido seriamente com sua namorada.

E num instante definitivo,seu celular toca...

Ele anseia escutar a doce voz de sua amada...

Se abaixa e pega o celular...

É a hora do perdão,a tanto esperada...


A hora...


HORA PARA QUÊ?


A jovem vítima avista o veículo,já muito próximo,com um olhar lacrimejante de temor e um tanto de esperança...

O pneus lisos tentam dar freio a algo que não fosse a vida...


Irreversíveis são os nossos atos e os trajetos unidirecionais dos ponteiros do relógio eterno...


O pequeno Tim tem sua cabeça estourada contra o vidro do carro que se espatifa,seus miólos e os cacos se espalham por todos os cantos.O fato consumido marca com manchas de sangue aquele mesmo asfalto em que Tim passara.


Imperdoável é a ação do tempo,que a tudo e a todos destrói.


Subvertendo os frios objetivos do tempo,carrasco que a tudo corrompe,permanece o vento,sem qualquer consentimento,a correr por entre os bosques,jardins e até mesmo os cemitérios,arrancando os frutos de suas árvores e os derrubando como que acidentalmente em terras fertéis,concebendo,em efeito dominó, oque virão a ser as novas árvores e, conquentemente,os novos frutos colhidos,ora também amargos,mas de certa forma digeríveis.